quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ENTREVISTA: DAVID CRONENBERG FALA SOBRE ROBERT PATTINSON.

Confiram:


Dada a atmosfera pesada de Nova York no filme, é uma surpresa que Cronenberg tenha escolhido o ator britânico, Robert Pattinson, para o papel principal. Pattinson é mais conhecido, é claro, para as demandas relativamente aos filmes “Crepúsculo”, que revelam pouco do material pesado, interno e intelectual que “Cosmopolis” exige. Após declarar que “casting é uma arte: não há um livro de regras para orientá-lo”, Cronenberg explica que ele viu alguns dos filmes de Pattinson, não-”Crepúsculo”, especialmente “Little Ashes”, no qual ele interpreta o jovem Salvador Dalí, e sentiu que tinha encontrado o seu homem. Ainda assim, ele admite, há em todos esses assuntos, um salto de fé.
“É apenas intuir que ele possa fazer o papel”, diz ele. “Porque você pede para ele fazer coisas que nunca fez antes. Mas eu estava convencido de que no momento em que tinha feito todo o meu trabalho, ele era o homem certo. Eu sabia que ele era bom, mas surpreendeu-me o quanto ele era bom.”
Do IFC
IFC: Mencionou que queria grandes atores a citarem o diálogo, e o filme é cheio deles. Mas estou curioso sobre Robert Pattinson, que ainda é um jovem ator e não tem tanta experiência como o resto do elenco, mas tem uma grande popularidade.
Quando tem um projecto como este, trabalha mais no guião para atender os seus pontos fortes, ou trabalha mais para combinar as suas habilidades e talentos para o material?
Cronenberg: Para todos os atores, você não sabe realmente o que vai conseguir. Com excepção de algumas audições que alguns atores fizeram para certos papéis, eu nunca ouvi o diálogo falado até estarmos filmando. Com Rob, em particular, nunca o ouvi falar o diálogo até começarmos as filmagens. Pude ir para as filmagens com toda a confiança de que ele é o homem certo, mas não sabia exatamente o que iria acontecer. Há uma coisa muito orgânica que se passa em “Cosmopolis”, que é muito espontâneo, porque até o Robert sentado na limusine com o ator atual com quem está a interpretar a cena, – e existem tantos atores diferentes que entram e saem da limusine – ele não sabe como vai reagir, porque ele não está a agir de forma oca. Ele está a reagir ao outro ator… Por exemplo, a primeira cena que filmamos foi na limusine com o Jay Baruchel. O Rob ficou chocado pela forma como Jay estava interpretava, porque ele estava interpretando com tanta emoção e vulnerabilidade, e o Rob não tinha antecipado isso. Então ele teve que reagir a isso. Essa é a emoção do filme: misturar todas essas coisas que são potentes e boas, mas não sabes realmente como vai consegui-las.
IFC: É uma espécie de cozinhado…
Cronenberg: (Risos) Sim, é. É como cozinhar uma refeição que nunca fez antes.
(…)
— SPOILERS —
IFC: Em matéria de mudanças do material de origem, vou entrar em território de spoiler por um momento, e quero perguntar sobre o fim do filme e como ele difere do livro. O livro deixa as coisas mais incertas do que o livro, ao que parece…
Cronenberg: É difícil discutir sem spoilers, mas isso teria sido muito fácil colocar um tiro na trilha sonora e aí saberia que Eric tinha sido assassinado. E no livro, sabe que ele está morto, ou pelo menos acredita em Benno, que ele foi assassinado – mas isso é uma coisa, porque Benno não é exatamente um narrador confiável. No livro há ainda alguma margem para incerteza quanto ao destino de Eric, mas quando estávamos filmando a última cena, eu adorei aqueles dois, porque estavam congelados no último momento – quase congelados numa eternidade de incerteza. Eles estão unidos para sempre. E eles estão presos neste tipo de momento arquetípico. Eu pensei que o momento deveria ser eterno.
IFC: Eu imagino você dizendo: “E corta aí… mesmo!”
Cronenberg: (Risos) Basicamente, sim. Por isso, foi uma cena mais dramática. Não era como “Oh, eu não posso deixar essa personagem morrer”, ou “os fãs do Rob não vão gostar que eu mate o Robert”, ou qualquer coisa desse género. Eu não estava preocupado com essas coisas. Foi muito espontâneo. Como eu mencionei, nós poderíamos facilmente ter deixado claro que ele tinha sido assassinado, cortando a cena para o preto com o som de um tiro.
— FIM DOS SPOILERS —

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